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AUMENTOS DOS PREÇOS DE VENDA
Desde a entrada em vigor do euro, em Janeiro 2002, ou sejam passados 9 anos e meio, os preços de venda nos estabelecimentos de Restauração e Bebidas, só sofreram um aumento médio acumulado de 6,5%, estimando-se, em contra partida, que as quebras de receitas médias anuais, no sector, estão a ser na ordem dos 25%! Na Hotelaria as receitas dos últimos anos, baseados nos cálculos do INE e do Turismo Portugal, para o REVPAR – Receita por quarto disponível, estão em queda permanente, e os preços de venda são inferiores aos de 2008! Em contrapartida a inflação acumulada, desde 2002, ultrapassa os 22%! A inflação em Julho já igualou os valores homólogos anteriores à crise do sub-prime em 2008, incluindo a indução do aumento das taxas do IVA, que não foi repercutida nos preços de venda! Os especuladores mundiais continuam a sua pressão, nas bolsas de valores, desviando-se das aplicações financeiras, para as alimentares e para as energias. Os aumentos dos preços dos cereais e do café vão manter a sua escalada. As energias, com o petróleo como indutor, iniciaram a espiral especulativa. Os custos operacionais das empresas de hotelaria e restauração, têm os seus principais pesos na mão-de-obra, em que por exemplo, desde 2002, o salário mínimo aumentou, em média, 4% ao ano, acumulando 36,5%, e os salários médios aumentaram cerca de 2,8% ao ano, acumulando cerca 25% de aumento. Igualmente se destacam os aumentos dos impostos (com o IVA da Restauração superior em 5% á vizinha Espanha), das múltiplas taxas, das energias, e de muitos custos de contexto com destaque para as comissões dos cartões de crédito e débito, para além da água que todos pensávamos ser um bem público. Finalmente nos produtos alimentares, como referido, o preço de venda do café é o exemplo flagrante, por ser o mais simbólico, já incluindo o chocolate, o pau de canela, o copo de água, o jornal, o livro de reclamações, e as casas de banho que as autarquias, irresponsavelmente, não põem ao dispor dos cidadãos, como é seu dever. O preço de venda médio do café, em Portugal é de 0,55 euros, valor que comparado, é notoriamente o mais baixo de toda a Europa. A Hotelaria e a Restauração são os principais contribuintes para a balança comercial do Turismo, que se posiciona como o 1º sector exportador de bens e serviços transaccionáveis de Portugal. As nossas micro, pequenas e médias empresas, que estão em risco de encerramento, sustentam mais de 300.000 postos de trabalho directos. Não há inovação, produtividade ou competitividade que nos valham, porque trabalhamos com parâmetros completamente desajustados da concorrência internacional, com destaque para a carga fiscal, a legislação laboral a educação, e a inoperância da justiça. A qualidade, dos nossos produtos e serviços, corre o risco de baixar para níveis inaceitáveis! Perante esta insustentável situação, em que os nossos fornecedores, muitos monopolistas, o estado e as autarquias nos pressionam com aumentos, em que a inflação começa a galopar, e em que os nossos clientes não têm poder de compra, como vamos sobreviver, nesta casa sem pão? O que fazer? Baixar a qualidade? Despedir os trabalhadores? Aumentar os preços de venda? É nesta encruzilhada de decisões, inadiáveis, que o caminho dos aumentos dos preços de venda, é o mais lógico e incontornável. A AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, vem há muito tempo alertando as entidades públicas, com propostas de soluções concretas, que são sistematicamente adiadas. Chegou o momento, que já previmos, em que a partir do próximo Outono os preços de venda vão começar a disparar, com o simbólico café á cabeça. Não venham ralhar com as nossas empresas, que não podem continuar a financiar todos os desmandos, e a desempenhar o papel de saloios, e bombos da festa. Mário Pereira Gonçalves Agosto 2010 |